quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Resenha: O curioso caso de Benjamin Button

“A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”.

A citação acima é do escritor americano Mark Twain e serviu como ponto de partida para que seu conterrâneo, o também escritor F. Scott Fitzgerald publicasse, em 1920, a fábula "O curioso caso de Benjamin Button". O livro conta a história do personagem-título, que nasce com 80 anos e vai rejuvenescendo à medida que o tempo passa. O longa baseado na obra de Fitzgerald chega às telas de todo o país na próxima sexta-feira e já impressiona por seu elenco estelar. Dirigido por David Fincher (Seven) e estrelado por Brad Pitt (Seven, Clube da Luta, O Assassinato de Jesse James) e Cate Blanchet (Elizabeth, O Senhor dos Anéis, I'm not there), "O curioso caso" é a grande aposta da Warner para faturar uma estatueta na cerimônia do Oscar deste ano.

Pitt dá vida ao personagem-título que, por razões inexplicáveis, nasce como um bebê de 80 anos de idade, no estado de Nova Orleans, nos EUA, pouco depois da I Guerra Mundial. Abandonado pelo pai, que vê no monstruoso filho o motivo da morte de sua esposa, Benjamin é criado pela negra Queenie, responsável por um asilo de idosos local.

Ao longo de mais de duas horas de projeção, o público tem acesso a uma pequena obra-prima de Fincher, que retrata com maestria, auxiliado pela roteiro de Eric Roth (Forrest Gump), a trajetória de Button. Graças ao trabalho de Roth, o personagem ganha contornos delicados e simples, mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida.

Impressionante também a fotografia de Claudio Miranda, com destaque para a cena em que a personagem de Cate Blanchett dança, à beira do lago, para um embevecido Brad Pitt; ou o momento em que um barco é atacado durante a II Guerra, com diferentes reações dos personagens. Tudo isso só vem destacar ainda mais todo o esmero da produção.

David Fincher faz um verdadeiro tratado sobre a inexorabilidade do tempo: por mais que se tente controlá-lo, ele passa para todos, mesmo que se utilize de subterfúgios para atenuarem-se seus efeitos. O importante, na visão do diretor, é aprender com os acontecimentos, adquirindo sabedoria. Seja de trás para frente ou de frente para trás, o fato de que a vida tem fim, mesmo que você não esteja velho ao final dela, é um fato que não pode ser mudado.

Chama a atenção, também, a opção do diretor em mostrar as mudanças de época ao longo do filme através de acontecimentos importantes, como a corrida espacial ou o advento dos Beatles, traçando um paralelo entre as mudanças dos personagens com o mundo que os cerca. Foge do clichê, além de ficar bonito na telona.

Por fim, mas não menos importante, a atuação de Brad Pitt (não menosprezando Cate Blanchett, perfeita como sempre) é impressionante. As dúvidas, os questionamentos e as vivências de Benjamin Button parecem ter sido feitos sob medida para o astro de Tróia. As diferentes entonações de voz que utiliza para marcar a passagem do tempo do personagem só fazem reforçar o quão bom ator ele é.

Ao final, é impossível não sair emocionado da sala de projeção. A história incomum de Benjamin Button faz o público refletir que, mesmo se o desejo de que o tempo passe ao contrário pudesse ser conquistada, a sabedoria e a maturidade só chegam com o tempo vivido e as experiências adquiridas por cada um. E isso só se pode aprender vivendo.

Optei por escrever essa resenha de estreia do blog à noite, somente para dizer a frase que melhor define o longa: "Good night, Benjamin..."

Um comentário:

Equipe Cinemajesthic disse...

Esse enorme enigma que é o tempo aparece durante todo o longa na sua forma bruta e incontrolável.

Já de início a figura do relógio parece representar uma tentativa desesperada do homem de controlar o tempo. Sendo assim, essa figura que abre e fecha o filme não tem como sua única função marcar o tempo.

Em outro momento, também um relógio, lindo com ponteiros em forma de braço, representado pelo rodopio de Daisy rumo ao seu próprio destino. Um acidente que a leva ao encontro de seu grande amor.

Thomas Button não à toa é dono de uma fábrica de botões. Sim, um botão é algo que está para se desenvolver, como também é seu sentimento pelo filho. Esse sentimento que Thomas demora uma vida toda para descobrir.

Além disso as tempestades, furacões, a geada em alto mar e o pôr do sol, todos grandes e brilhando ao longo do filme.